19 de janeiro de 2015

O meu filho mais velho e as orações




Fui educada numa família profundamente católica, mas assim que comecei a ser independente deixei de ir à missa ao domingo e a baldar-me a todas as questões e actividades religiosas. Não rezo todas as noites, mas peço a Deus ajuda e agradeço momentos especiais. 
Não consegui casar pela igreja – numa questão complicada e de embirranço com o padre que se recusou a ir-nos fazer o casamento campal, na quinta do meu pai, debaixo do caramanchão cheio de rosas plantadas pelo meu pai para a ocasião, a 1 minuto da capela, para a qual o meu pai e demais habitantes da aldeia tinham contribuído quando foram as remodelações, porque o padre, quase centenário, embirou que o casamento tinha de ser na igreja e não houve nanem apelos, nem pedidos, nem carta ao Bispo, que a minha mãe escreveu, que nos ajudasse porque depende do padre da paróquia local e uns deixam celebrar os casamentos ao ar livre e outros recusam-se. O nosso recusou e teve de ser pelo civil, para enorme desgosto da minha mãe e avós, mas fizemos o casamento como eu e o meu marido tínhamos sonhado, - mas ainda o quero fazer com este homem que escolhi para companheiro e pai dos meus filhos (pena já não ter cá o meu pai e o meu avô para festejarem connosco), mas baptizei os meus filhos nos primeiros meses de vida. Acredito em Deus, mas pratico pouco. Há padres que afastam, que repelem, que querem uma igreja distante. Claro, que, felizmente, há padres maravilhosos que abraçam e que aproximam, como é o caso do padre Alberto que baptizou um dos meus sobrinhos e o meu filho Afonso. E que, provavelmente, nos casará se o nosso sonho de casar pela igreja se concretizar…
Ao contrário de mim, a minha mãe é uma mulher de fé, é muito devota e nunca deita os meus filhos sem rezarem primeiro. É ela que os ensina a rezar. É uma coisa deles. Esta noite a minha mãe ficou lá em casa e o meu filho mas velho relembrou as orações. De manhã o mais velho pediu-me uma tattoo do homem aranha. Fizemos a tattoo. E quando vestíamos o casaco com cuidado, eu disse: vamos rezar para que não estrague a tatuagem. Mas disse-o como expressão e não com o sentido literal de irmos rezar. A tatuagem não se estragou e diz o meu filho, radiante: ainda bem que rezámos, mãe! E eu sorri-lhe… E as orações da avó ganharam força extra a protegerem o homem aranha acabado de tatuar.

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