20 de janeiro de 2015

Berra-me Baixo#10

Não é só não gritar, é estar mais paciente e disponível para os meus filhos e para o ritmo deles.  Não sei se vos acontece, mas às vezes parece que esperamos que os nossos pequeninos se comportem como adultos. Que disparate, não é? Andamos a mil à hora, mas eles não merecem a nossa loucura, o  nosso ritmo sem respirar. As exigências hoje são imensas, mas eu percebi que às vezes é possível abrandar... Parece é que às vezes já não sabemos andar sem ser a mil à hora. Eu tenho abrandado. E tem sido tão bom. Não comecei a trabalhar menos nem deixei de trabalhar, mas reorganizei-me, mais mentalmente que outra coisa. E é tão bom abrandar, deixá-los brincar à porta da escola mais uns minutos com os amiguinhos que saem ao mesmo tempo (em vez de estar ali em rezingona: vamos, e vamos, anda lá, já chega, olha que se não vamos...), não tomar banho uma tarde para jogar monopólio, construir legos ao final do dia... dar-lhes tempo para os manos brincarem juntos, para se pegarem, para partilharem os brinquedos... E rir. Rir com eles. Enternecer-me com eles, com a relação deles, com o crescimento deles... Eles estão numa fase em que adoram fazer disparates juntos e respondeu-me no outro dia o filho grande depois de eu os mandar parar de correr aos gritos: oh, mãe mas nós gostamos tanto um do outro!! E não o que queremos? Manos cúmplices? Claro que há tempo para tudo, mas eu ando mais relaxada, e andamos todos muito mais felizes. Os fins de tarde são, por regra, momentos de tensão nas casas com filhos. Eu e o meu marido analisámos a nossa vida  (até porque eu ia precisar de apoio no pós operatório da endometriose) e contratámos uma empregada para vir umas horas à tarde tratar da casa e deixar o jantar pronto. É um luxo, claro. Mas luxo maior é eu poder chegar a casa (estou sempre sozinha com eles) e não ter que me preocupar com nenhuma tarefa doméstica. Sou toda deles. O meu tempo é deles. É nosso. Brincamos. E eles deixaram de precisar de fazer birras para me chamar a atenção. E estou ali com eles, sentada no chão do quarto a brincar ao que eles querem. Dou banhos longos e cheios de espuma. E há dias em que ainda há tempo para verem desenhos animados enquanto eu preparo tudo para nos sentarmos à mesa entre as 19 e as 19h30. E esta mudança de horários foi outra das boas coisas que conseguimos. Claro que para termos este luxo de uma empregada algumas horas todos os dias temos de cortar noutras coisas, mas ganhámos qualidade de vida. Jantamos mais cedo, logo,  consigo deitá-los cedo (não esquecendo que os nossos jantarem continuam a ser demoníacos e a demorar cerca de 1,5 horas, mas até nisso estamos a trabalhar), sobrando ainda minutos para brincar e ouvirem uma história antes de dormirem. Claro que continuam a existir castigos a quem desobedece, continuam a existir birras e dramas para jantar, mas não tem nada a ver com o que acontecia... Porque eu mudei. Porque eu deixei de fazer birras de mãe e de gritar por tudo e por nada, reservando os finais de dia para eles. Para nós.

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