16 de fevereiro de 2015

Trabalho para viver, não vivo para trabalhar

E custa-me quando as chefias acham que é normal arrastar o trabalho para o fim de semana, é difícil quando trabalhamos com pessoas sem filhos, ou com filhos já crescidos, e que não percebem como é complicado jantares a meio da semana (quando eu quero estar com os meus filhos, apesar do inferno que é dar-lhes de comer), quando acham tranquilo irmos reunir para fora, dormindo fora de casa (claro que é bom estarmos dois ou três dias isolados, num bom hotel, sem preocipações domésticas e familiares e apenas concentrados no trabalho, mas custa deixar os filhos e sobrecarregar o meu marido para o podermos fazer)... Eu adoro o meu trabalho, mas eu trabalho para viver e não vivo para trabalhar e isso nem sempre é bem visto... E eu sei que não vou assumir cargos de coordenação porque não tenho, nem quero ter, disponibilidade 24h por dia, 365 dias por ano... Eu tenho um projecto de vida que passa, e muito, pela minha família, e eles são a minha prioridade. Não quero estar em casa, já estive e não é o melhor para o meu equilíbrio, quero trabalhar, preciso de trabalhar - para a cabeça e para o orçamento familiar - mas não quero ser uma escrava do trabalho. É que nem sequer (nem de perto nem de longe) ganho para isso. Nem quero ganhar. Não é isso que eu quero para a minha vida.

3 comentários:

  1. Ora! Podia ter sido eu a escrever isto! E era isto exactamente que hoje pensei em escrever! Identifico-me a 100%! Adoro trabalhar, mas adoro ainda mais a minha família e vida familiar!

    ResponderEliminar
  2. Li isto e identifiquei-me tanto tanto. Sou mais nova (20 e tais), não tenho filhos mas assim que tiver mais estabilidade gostava de começar a ponderar isso a sério. No entanto, quando penso nisso vejo que é muito complicado conseguir ter filhos e acompanhá-los qb porque é surreal o que as empresas nos exigem: no meu caso, trabalho não menos que 11 horas por dia, são raros os fins de semana que não trabalho 4/5 horas por dia, esperam que responda a emails a meio da noite (2 horas ou 3 horas da manhã, quando no outro dia às 8 horas já lá estou a trabalhar), ... A empresa está a crescer, o ambiente é óptimo, eles são algo flexíveis (se precisar de sair uma hora mais cedo, não há problema, porque acabo por compensar isso numa das "mil" horas de trabalho que faço a mais sem ser remunerada), mas a nível monetário, pessoal e mental não compensa. Todos os meus colegas são homens e têm filhos, mas chegam a casa e têm o jantar feito, a casa arrumada, os filhos deitados, por isso para eles é "fácil" e acham completamente normal viver para trabalhar. Eu não acho isso e, muito sinceramente, penso que nunca acharei normal e aceitável abdicar-se da família porque uma empresa acha que a troco de 600 ou 1500 euros deves pôr o trabalho à frente de tudo.

    (desculpa o testamento. acompanho-te há muito e identifico-me muito com as "exigências patronais" que relatas...e desta vez não resisti)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, obrigada pelo teu comentário. Não peças desculpa pelo testamento, este espaço é mesmo de partilha e de troca de ideia e de opiniões.

      Eliminar

Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!