16 de fevereiro de 2015

E ontem falámos concretamente sobre o terceiro filho. Vamos a isto?

O tema do terceiro filho anda há um ano no ar, entretanto foi-me diagnosticado novo foco de endometriose, exames, cirurgia, recuperação da cirurgia, consulta pós operatório e agora em Março a grande consulta: Mantemos pilula em contínuo até ser altura de sermos mais agressivos (remoção de útero e ovário para provocar menopausa e acabar com a endometriose e com as dores) ou avançamos para a gravidez, com 100% de apoio da médica graças ao sucesso da cirurgia e excelente recuperação? Ontem estivemos a falar dos prós e dos contras de termos mais um filho. Há instabilidade social e profissional, o país não anda bem, os trabalhos podem falhar... Mas temos imensa vontade de aumentar a família, nada nos dá mais alegria que ver o amor dos nossos filhos, os irmãos são a melhor coisa que se pode dar a um filho, o mais velho está sempre a pedir mais manos, tenho uma muito boa rede familiar que nos ajuda sempre que é preciso (avó, tias, padrinhos, sobrinhas, amigos), há óptimas escolas públicas - quando mudámos de casa optámos por vir para perto da escola deles (e da casa da minha mãe) onde há dos melhores agrupamentos de Lisboa, temos um centro de saúde e um médico de familia extraordinário, há óptimos hospitais públicos onde os nossos filhos são muito bem observados, graças ao trabalho do meu marido temos todos seguro de saúde gratuito, temos os dois trabalho - e, acima de tudo, não temos medo de trabalhar, de ir à luta, de arregaçar os braços - e temos uma família que nos ajuda e nos apoia. Claro que andamos cansados, que mais um filho vai endoidecer ainda mais a nossa logística familiar, mas já temos uma monovolume de 7 lugares, temos uma casa onde cabe mais um filho e temos muito amor para dar. O mais velho está a fazer 6 anos e cada vez ajuda mais. E se nós precisarmos de mais ajuda, ele dá. Porque é mesmo assim, quanto mais puxamos por eles, mais eles dão, e com mais filhos precisamos que eles paticipem mais, ajudem mais, colaborem mais...E eles alinham. (No outro dia chegámos à escola ao mesmo tempo que o pai de seis - têm uma filha em cada sala e dois já no primeiro ciclo) e é vê-lo chegar e tratar das mais pequenas enquanto as mais velhas 3, 4 e 5 anos vestem os bibes sozinhas. E eu disse: já viste a C. a vestir a bata a a arrumar o casaco? (virava as mangas para não ficarem do avesso e colocava tudo impecável no cabide). E diz ele: oh, mãe, é que elas são muitas. Têm de ajudar o pai. E é isto... E eu acho que funciona mesmo assim.)

E ontem encontrei este texto. Dei-o a ler ao meu marido. Rimos.

A verdade sobre ter um terceiro filho

 
 
 
 
 
 
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Quando temos o primeiro filho, sentimo-nos o centro do universo: nunca ninguém teve um bebé antes, e este é o evento mais importante na história do mundo.
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Somos capazes de dormir uma sesta todas as tardes e passeamos orgulhosas de mão na barriga à espera do grande dia! Sentimo-nos calmas e estamos sempre a rir. Adoramos as más disposições de grávida porque é sinal de que o bebé está a crescer. Fazemos uma alimentação saudável, de preferência com produtos biológicos, tomamos as vitaminas todas e não bebemos álcool. Estamos informadas e avisadas. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras de partos complicados. O nosso Obstetra fala connosco e seguimos os seus conselhos religiosamente.
As pessoas desdobram-se para ajudar nas compras, dão-nos as roupas dos seus filhos que já não vão usar. E ficam, realmente, entusiasmadas com a tua gravidez. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que Sim recebemos um grande e caloroso sorriso de boas vindas a este mundo novo da maternidade. Dizem-nos que vai ser a melhor coisa que já nos aconteceu na vida. E nós acreditamos.
Devoramos toda a literatura da especialidade, assinamos a “Pais e Filhos” e outras revistas on line. Montamos o quarto do bebé, planeamos como vai ficar, pintamos ou colocamos papel nas paredes. Passamos horas a investigar qual a melhor espreguiçadeira baloiço, o melhor sling e os melhores arneses. Protegemos todas as tomadas e esquinas da casa, mudamos os detergentes para um armário mais alto e que, para abrir a porta, é necessário inserir um código de 8 dígitos.
Cortamos cuidadosamente as etiquetas da roupa do bebé, e lavamos tudo duas vezes com um detergente super-XPTO orgânico, amigo do ambiente, e especial para a pele dos bebés. O meu filho não vai usar chucha, não vai chupar no dedo, vai mamar para sempre. Vou virá-lo todas as noites para não ficar com a cabeça achatada. Não vai assistir televisão até aos 8 anos, nunca vai ter telemóvel, nem piercings, e nunca vou deixar entrar brinquedos ou roupa dos desenhos da televisão em minha casa, como o Ruca ou a Dora.
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Quando engravidamos do segundo filho, o mais velho é o centro do universo. Já nos esquecemos de todas as coisas de bebé, e só podemos gozar a gravidez à noite, quando o primogénito está a dormir. Nunca mais dormimos durante o dia, porque o mais velho já deixou a sesta. Quando entramos no 2ª trimestre de gravidez parece que estamos grávidas de 6 meses. Sentimo-nos stressadas e gritamos muito. Adoramos as más disposições de grávida porque são um bom motivo para descansarmos um bocadinho. Comemos os restos do prato do primeiro filho, tentamos não beber álcool, e às vezes, lembramo-nos de tomar as vitaminas.
Ficamos saturadas com a informação e os conselhos. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos mais velhos que fazem mal aos bebés. Esquecemo-nos de metade dos conselhos do nosso Obstetra.
Os amigos que já não querem ter mais filhos começam a “despejar”, em nossa casa, as coisas  de que já não precisam. Quer precisemos ou não. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos, “É o primeiro?” Quando dizemos que Não, afastam-se com um ar desapontado…
Vamos buscar a literatura da especialidade, mas arrastamo-la por semanas sem sequer conseguir dar-lhe uma vista de olhos. Recomeçamos a ler a Pais e Filhos, mas agora interessamo-nos por outros tópicos, tais como facilitar a adaptação do irmão ao bebé que vai nascer. “Expulsamos” o mais velho da cama de grades, sem cerimónia, e dizemos-lhe que agora é um crescido e, por isso, vai dormir numa cama de crescidos. Fazemos a “reciclagem” dos brinquedos de bebé para perceber os que ainda dão para aproveitar, lavamos os lençóis do berço, compramos uns autocolantes de parede e um par de fraldas de recém-nascidos. Está feito o quarto do bebé. Olhamos para as espreguiçadeiras-baloiço, os slings e arneses, e questionamo-nos se vale a pena tirar aquilo da garagem.
O nosso filho mais velho já retirou todas as protecções das tomadas da casa e continua vivo, por isso não as repomos. Os detergentes estão debaixo do lavatório com um fecho anti-crianças.
Lavamos as roupas de bebé com detergente normal. Compramos um conjunto de bodies e deixamos perto do berço. De certeza que vai dar jeito. Eles só vão assistir à TV quando estivermos muito cansadas, resmungonas, ou a fazer o jantar. Eles só vão ter uma consola quando tiverem 3 anos. Nunca vão ter piercings. O Ruca e a Dora já fazem parte la de casa.
Já esquecemos tudo sobre planos de nascimento, e estamos ansiosas por aqueles 3 dias no hospital para fugir ao caos de nossa casa. Vai saber bem o descanso. Carregamos o telemóvel e verificamos se a net funciona, pois pretendemos ficar toda a estadia no Facebook. Não vamos preocupadas com o parto, mas questionamo-nos quanto à amamentação. Levamos protectores de silicone e cremes para o peito. Pelos sim pelo não levamos a bomba e dois biberãos. Só por causa das tosses.
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Quando engravidamos do terceiro filho, o mais velho, em idade pré-escolar, e o segundo, até agora o mais novo, acham-se o centro do universo. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são graças ao apetite enorme que temos tido. Parecemos umas mortas-vivas, e aprendemos a dormir as sestas de olhos abertos durante as aulas de natação ou de ballet. Parece que estamos grávidas de 6 meses assim que acabamos de conceber. Só não estamos stressadas quando estamos a dormir. E, quando estamos a dormir, ressonamos.
Andamos com sacos de vómito na mala para sobreviver às más disposições da gravidez, e deitamo-los fora com as fraldas descartáveis. A nossa refeição principal é o almoço. Todas as outras são a correr ou não existem. Se os nossos filhos não comem salada nem vegetais, porque é que nós havemos de comer? Nem sequer tentamos deixar de beber álcool, até insistimos num copo de vinho, mas sabe pessimamente, e enfrascamo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas, e esquecemo-nos de as tomar durante toda a gravidez. Redefinimos a palavra “eternidade” baseadas nas constantes perguntas do filho mais velho sobre se “é hoje que o bebé nasce?”
Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés. Todos pensam que somos loucas ou irresponsáveis. E assumem que foi um acidente. Olham-nos de soslaio no supermercado quando nos vêem com dois miúdos, mais um a caminho, 2 cachos de bananas e vários iogurtes. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos do meio que acabaram por se tornar psicopatas. Ou políticos. Vemos o Obstetra no dia do parto.
As amigas que já não vão ter mais filhos, já perderam peso, estão giras, com um ar descansado e relaxado. Podem sair à noite e ter vida social. Não sentem nada mais do que pena por nós.
Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o terceiro, riem-se à gargalhada e vão-se embora.
Já não  temos nenhuma literatura de especialidade como tínhamos, e já não há dinheiro para pagar assinaturas. Folheamos diversas revistas  à espera de nos inspirarmos sobre o nome da criança. Tiramos o segundo filho da cama de grades num ápice, e treinamo-lo a largar as fraldas ainda antes de nascer o bebé. Se tudo correr mal, vamos a rapidamente comprar outra cama de grades.
Vamos desencantar fraldas de recém-nascido que tinham sobrado dos outros, e pomos junto ao berço. Está feito o quarto do bebé.
Olhamos para o enxoval do bebé, que já passou pelos irmãos, e embora coçadinho, vai ter de dar.  Instalamos uma TV no quarto dos miúdos. Nunca vão ter piercings antes dos 16 anos. A Dora e o Ruca estão por todo o lado….
O bebé nasce. E há-de ir para o infantário.
Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos olhar para o nosso marido e ficar eternamente gratas por estes três maravilhosos filhos que ele nos deu, e desculpá-lo por (quase) tudo o resto. A nossa vida é agitada, confusa e barulhenta, alguns  gritos, frustrações e muito amor. Teremos muitos daqueles momentos de cortar a respiração, aquelas experiências únicas, aqueles dias fantásticos que fazem com que nunca nos venhamos  a arrepender das escolhas que fizemos.
traduzido e adaptado por
Up To Lisbon Kids,
artigo original de Shannon Meyerkort
@Scay Mommy

1 comentário:

  1. Nós estamos agora a menos de 2 meses do nascimento do segundo, e confesso que o meu sonho era ter 3. A ver vamos como a vida corre.
    E por coincidência ontem também me deparei com esse texto! :))

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Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!