26 de março de 2015

Os trabalhos de casa

Como sabem os meus filhos ainda estão um na creche e outro no jardim de infância, mas ontem participei de uma "discussão" num grupo das mães a propósito da quantidade de trabalhos de casa que o filho de uma delas, no 6º ano, tinha trazido para as férias da Páscoa e era absolutamente chocante entre várias fichas e 6 livros para ler. Qual de nós lê 6 livros em duas semanas? Mesmo livros pequenos. Eu sou uma leitora quase compulsiva, leio um livro, no máximo dois, por mês. É preciso ler e saborear o que lemos, dar espaço ao livro dentro de nós, apreender as personagens, gostar do prazer de ler e não estar numa maratona para chegar ao fim sem ter desfrutado da viagem. Sempre houve trabalhos de casa, eu tive trabalhos de casa, e não fiquei traumatizada. Até me lembro bem do lanche que a minha mãe  me trazia à secretária enquanto eu estudava. Mas eu chegava a casa cedo e tinha uma mãe que não trabalhava fora. Logo, não tínhamos a vida louca que a maioria das famílias têm hoje em dia. Eu compreendo que existam trabalhos nas férias, o meu filho mais velho trouxe duas fichas das aulas de piano para não estar duas semanas parado e sem treinar, mas há uma diferença entre uma ou duas fichas, uma leitura, uma composição sobre as férias, sobre a Páscoa, sobre a família ou a caça aos ovos e trabalhos de casa que interferem com a dinâmica das fanílias e que criam aversão à escola e à aprendizagem. A escola é para ser uma coisa boa. Vocês gostam de trabalhar nas férias? Eu não gosto nada. E a pressão que se está a colocar nas crianças e nas famílias é prejudicial. As famílias não têm tempo para ser família, as crianças não têm tempo para ser crianças. E isso é péssimo. E todos têm que ser os melhores. Uma amiga minha tirou há 2 semanas a filha da escola, a meio do ano, no 3º ano porque como a filha não é uma aluna brilhante foi posta de lado e fizeram tudo para que os pais a tirassem da escola. E porquê? Porque a Ritinha interfer com o ranking da escola, que está no top 10. E as escolas não querem Ritinhas que demoram mais tempo a ler ou têm mais dificuldades com os números... É este o nosso mundo. E nem de propósito estava a ler agora um artigo da Pais e Filhos que diz: Um estudo realizado na instituição espanhola concluiu que uma hora é o período em que fazer TPC traz mais vantagens de aprendizagem. E se demoram mais de hora e meia, os resultados não só não aparecem como decrescem. Para além disso, os alunos aprendem mais e melhor se tiverem trabalhos de casa moderados e regulares, ou seja, um pouco todos os dias. Se estiverem interessados, leiam a totalidade do artigo, aqui.

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