9 de março de 2015

O meu dia da mulher

Não foi um dia bom. Estava de neura. Estava irritada. Sem paciência. O dia estava maravilhoso e as amigas solteiras e sem filhos mandavam fotos de brunch's, de corridas e eu estava com o mais pequeno no Pingo Doce. O pai tinha ido jogar à bola com os amigos e o mais velho tinha ido com os tios ver a exposição de aranhas vivas (adorou!!! Vinha doido de lá) e estava uma manhã linda e eu estava no Pingo Doce com  o mais pequeno a organizar a ementa semanal... E começaram aqui a remoer os nervos. Chegar a casa e dar o almoço ao mais pequeno que não quis almoçar, com uma birra enorme. (Escusado será dizer que esteve sempre a comer para se manter quieto no carrinho do supermercado) Está a chegar aos dois anos, mas as birras já são uma constante. Foi dormir. E eu pensei: vou-me alarvar com uma pizza especial que tinha comprado. Vou fazer esta pizza só para mim e vou consolar-me a comer ao sol. E lá fui fazer a pizza. Entretanto chega o maridão super bem disposto (tinha tido um jantar de amigos na véspera e de manhã foi com outros amigos jogar à bola naquele sol maravilhoso) e eu odeio-o por isso. Fui buscar a minha pizza. Ele veio atrás. A pizza é só para ti? Eu disse que sim e ela estatelou-se toda no meio do chão... E eu tive vontade de gritar e chorar e espernear. Não era a Pizza, mas é o facto de às vezes me sentir muito perdida nesta vida de mãe e de dona de casa... Quis ficar sozinha. O meu humor ficou intratável. Fui para o meu quarto. Queria chorar. Chorei. Entre o trabalho, as coisas da casa e dos miúdos parece que eu sou engolida. Preciso de tempo para mim e para as minhas coisas. Preciso de abraçar mais o meu marido para também não nos perdermos nos dias e nas birras das crianças, e das nossas. Preciso de me sentir abraçada. Preciso de rir mais para ter mais paciência e calma com os miúdos. Como as crianças, também adormeci depois da minha birra. Não acordei bem, mas acordei melhor o suficiente para sair de casa e irmos a uma festa infantil. Não me apetecia, mas fui. E fingi que estava tudo bem. E à noite chorei mais um pouco. Mas já chorei abraçada ao meu marido.

5 comentários:

  1. hummm onde é que eu já vi isto?
    são fases que todas passamos, fazes bem chorar porque alivia.

    Um beijinho dos grandes

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  2. Sabes aquelas noites que tens porque tens a tua mae perto! Pensa que há muita gente (eu!!!) que nem isso tem! Não! Não é para teres pena! Sou feliz! Muito feliz! Maaaas sim, sinto que precisava de mais tempo para mim! Um dia... talvez um dia! O meu pirata tem 2 anos e 3 meses! E exige muito de nós!

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    1. Um beijinho e obrigada pelo comentário. Sim, há muitas mães e mulheres com muitoooooo menos tempo que eu e com vidas muito mais complicadas e dificeis...

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  3. Não te anules!! Tudo o que sentes, para mim foi o princípio do fim. E eu só tenho uma filha. Também os maridos podem ir às compras ao Pingo Doce enquanto nós vamos correr, passear, ou simplesmente sentar o rabo na esplanada. Quando tentei dar a volta a isso já era tarde. Não digo isto para te assustar. Mas até eu achava que eram neuras minhas, cansaço. E depois, rebentei!! Um grande beijinho*

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Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!