27 de outubro de 2015

Só descansei quando o abracei

O meu marido não me atendeu o telemóvel a seguir ao almoço, mas eu pensei que ele estaria numa reunião. Sabia que ele tinha ido a casa almoçar com o nosso filhote, o que eu não poderia imaginar é que ao regressar ao trabalho, ainda na nossa rua, uma senhora resolvesse fazer inversão de marcha sem olhar para mais nada a não ser para o lugar que tinha acabado de ficar vago do outro lado da rua. O meu marido percebeu o que ia acontecer, travou a fundo, mas não tinha para onde fugir porque o carro estava atravessado. Voou pelo ar... Ambulância, polícia, bombeiros, ele imobilizado e uma avó, a minha mãe, que saiu para ir comprar o pão para o meu filho lanchar. Viu aquele aparato todo, viu a moto enfiada debaixo do carro, felizmente o meu marido saltou a tempo, e reconheceu os ténis do meu marido. Diz que não sabe como é que não desmaiou logo ali. O meu marido disse que estava bem, tinha arranhões e nada de mais, mas que o protocolo mandava que fosse para o hospital. Pediu-lhe para não me dizer nada e lá foi a minha mãe aos tremeliques para casa para ficar com o nosso filho, que entretanto estava com a empregada. Falei com ela duas vezes e ela não se desmanchou. Eu saí do trabalho e ainda fui ao Jumbo comprar galochas para os meus filhos levarem para um passeio a uma quinta. Liguei à minha mãe para que ela me visse o número das galochas que estavam cá e já não servem ao grande e estão grandes ao pequeno e ela, sem se desmanchar, diz"ah, estás no Jumbo... " A minha mãe passou a tarde num stress, disfarçando para o meu filho não perceber, pois não tinha mais notícias do meu marido. E só depois das 5 e meia, quando estou a chegar à creche para ir buscar o Afonso é que me liga o meu marido: "não fiques nervosa que está tudo bem." É a pior frase que se pode dizer. Contou-me o sucedido e que estava bem, o chefe dele de trabalho tinha ido ter com ele e estava com ele, e eu que não preocupasse. Está certo, está! Apanhei o mais pequeno na escola, deixei-o na minha mãe e fui para Santa Maria e só descansei quando o abracei e vi que ele estava bem. Já tinha feito os exames todos e só tinha escoriações. Que alívio. Não me queria lá por causa das infeções, mas eu já estava de mascara e dali ninguém me tirava! Trouxe-o para casa. Foi só um susto. Eu sempre tive horror às motos. E sempre lhe disse que confiava nele, e confio, mas não confio nos outros. As pessoas são selvagens a conduzir. Não olham, não respeitam e não querem saber dos outros. A moto foi para a marca, nem ele sabe o estado em que a moto está porque assim que caiu apareceu logo um vizinho médico que já não o deixou levantar nem mexer. E o meu marido contou que o cão do vizinho deitou-se quase enroscado no meu marido - que esteve uma hora deitado no alcatrão meio enfiado debaixo do carro- e esteve com ele até o meu marido entrar para a ambulância, quase uma hora depois. E estava a 2 minutos de Santa Maria... Felizmente não foi nada de grave.

2 comentários:

  1. Ufa que grande susto. Ainda bem que não foi nada de grave.
    A minha mãe teve um acidente d emota em Julho, partiu o ombro e está em fisioterapia com movimentos condicionados. Sei bem do susto que falas.
    Bjs

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Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!