26 de outubro de 2015

A história dos dos dois gémeos encontrados no parque à noite e retirados aos pais aperta-me o coração

Não vivo com aquela família, ou seja, não sei de todos os contornos da história e apenas sei o que saiu na comunicação social, mas incomoda-me que se retirem duas crianças pequenas à família sem evidências de maus tratos. Claro que as crianças não deviam ter saído de casa sozinhas a meio da noite, mas só quem não tem filhos é que não sabe das loucuras que as crianças são capazes. A mãe estava a dormir, exausta... e com todos os motivos para assim estar. Teve dois pares de gémeos quase de seguida e, o pior, é que não tem ajudas, não tem apoios e nem sequer uma creche para as crianças. Imaginam-se em casa com 4 filhos deste tamanho 24 sobre 24 horas? e a trabalharem por turnos e sem um minuto para descansar ou descomprimir? Eu tenho apoios familiares, tenho empregada, tenho os miúdos na escola - e para já só tenho dois, não tenho 4 - e caio na cama exausta de cansaço. E todos os que temos filhos sabemos que eles conseguem proezas inimagináveis, e que trepam, sobem, arrastam, inventam e fazem trinta por uma linha que só uma criança é que se lembra... O meu filho mais velho se lhe apetecesse conseguiria sair de casa a meio da noite sem problemas. E deixamos a porta trancada, mas as chaves não ficam escondidas até porque se houver algum incidente a meio da noite que exija que tenhamos de fugir e as chaves têm de estar à mão. Mesmo estando muito atenta aos meus filhos já tivemos acidentes, todos por minha culpa... E claro que poderiam ter sido evitados. O meu filho mais velho caiu da escada da antiga casa porque eu, cheia de sono, fechei mal a cancela da escada que ligava o andar dos quartos ao andar de baixo, e o filho mais novo queimou-se num bule de chá a ferver quando eu estava a começar a lanchar e à conversa com uns amigos que tinham acabado de chegar a nossa casa... E sabem o que me disseram na Estefânia, da primeira vez com o mais velho, quando eu estava a ser consumida pelo pânico do estado interno em que ele poderia estar (felizmente foi só um traumatismo craniano sem consequências nem sequelas) e eu só repetia que a culpa era minha? A médica disse-me que a maioria dos acidentes acontecem com as mães em casa porque são elas quem está mais tempo com as crianças, por isso, é a lógica das probabilidades. 
Conseguimos imaginar o estado de exaustão destes país, que já estavam referenciados e que já tinham pedido ajuda? Como é que a segurança social não lhes conseguiu ajudar com uma creche?! Eles não pediam nada de mais, apenas uma creche onde deixar os filhos para poderem ir trabalhar descansados! E só de imaginar o sofrimento dos pais e dos filhos, que de repente e sem saberem como estão longe da família sinto um enorme aperto no coração. Será que as instituições competentes não conseguem ajudar esta família sem lhes retirar os filhos?! Eu quero acreditar que sim e espero que muito em breve esta família tenha a ajuda condigna que merece. Eu assinei uma petição e quem mais se quiser juntar, está na barra do lado direito do blog. 

10 comentários:

  1. Bem eu sou muito critica em relação a estes casos, primeiro porque os filhos não nos aparecem, os pais é que decidem te-los. depois porque cada um sabe das suas capacidades fisicas e psicologicas para a maternidade. Cada casal conhece a sua própria vida, sabe com o que conta e não se manda vir filhos sem haver as condições mínimas. Eu não sei se terem retirado os filhos a estes pais foi o melhor, mas no imediato parece-me aceitável para se poder avaliar bem a situação familiar. não é comparável um filho cair das escadas abaixo com saírem de casa á noite sem os pais darem conta, nem com ficarem horas na rua á noite ao frio e sujeitos a qualquer coisa má. Na verdade toda a gente acha mal porque nada aconteceu felizmente aos miúdos, mas e se tivesse acontecido? Acho bonito e mostra alguma lucidez que os pais tenham pedido ajuda, mas não chega ter lucidez para pedir ajuda é preciso a mesma lucidez na hora de decidir ter filhos. Se não podem pagar uma creche e estão há espera de uma resposta da segurança social, se não têm apoio familiar porque a família está longe como é que decidem em consciência mandar vir mais filhos?
    Terá a segurança social a obrigação de resolver a vida e a situação de cada um? então onde fica a responsabilidade de cada pai e mãe? Acho que esta história tem contornos demasiados duvidosos e vista assim pelos jornais deixa-me pouco convencida.

    Bjos

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    1. Eu comecei mesmo por escrever que só sei o que apareceu nos media... Claro que tudo o que dizes é verdade e que toda a história tem contornos de miséria, mas uma vez que as crianças cá estão e não pediram para nascer penso que cabe também ao estado, um estado social, ajudar as famílias a serem mais funcionais, a terem melhores condições para criarem os filhos que já têm. Sim, felizmente não acabou em tragédia e poderia ter acabado, mas custa-me imenso (as histórias com crianças sempre mexeram muito comigo, depois de ter sido mãe ainda mais e agora grávida nem se fala) ver crianças a ser retiradas e só desejo que a situação se resolva, e que isto que está a acontecer sirva para que esta família se possa reorganizar e voltar a unir.

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    2. Mas alguém escolhe ter dois pares de gémeos?

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  2. A avaliar apenas pelo que saiu na comunicação social, resta-me dizer que o estado se empenha mais em destruir os nossos impostos com os tachos para os amigos, com as PPP etc e tal do que a criar condições mínimas de apoio as famílias, quando é o próprio primeiro ministro a dizer que a população está velha e que devíamos ter mais filhos. Depois, não sabemos se os filhos estão cá desejados ou não, mediante a falta de condições. Pode ter havido uma falha nos contraceptivos, acontece, e os pais serem objectores de consciência em relação ao aborto. E agora, tiram-se-lhes os filhos, como se isso fosse melhor para eles? Não estavam subnutridos nem aparentavam maus tratos, apenas estavam a brincar onde não deviam por um "descuido" (fruto do cansaço) da mãe...

    O Pai,
    http://soupaieagorablog.blogspot.pt

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  3. A solução não será assim tão simplista. Por um lado não pode ser só ao Estado que cabe resolver os problemas familiares de cada um e infelizmente os meninos não saíram só de casa para ir brincar ali. Foram encontrados a 500 metros de casa, ás 2h00 da manhã, na rua. Crianças de 3 anos? Infelizmente este caso terá contornos que não nos foram dados a conhecer e depois seria tão fácil se fosse só coloca-los numa creche.4 vagas numa creche e assunto resolvido? não me parece. Estes pais estão a precisar de muita ajuda sim, mas que não passará só por 4 vagas numa creche com certeza. Bjos

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    1. Claro que não. Esta família precisa de ser intervencionada, claro que as creches serão uma ajuda fundamental, mas precisarão de mais do que isso, precisarão de acompanhamento e muitas outras coisas que as pessoas competentes - não sou assistente social - saberão o que é.

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  4. a questao é que neste momento este casal não oferece segurança aos filhos até nova avaliação que dito o contrário, por isso acho que não faz sentido a petição. Só isso. Também gosto de ver as crianças com as familias atenção, mas em familias que saibam e estejam em condições de olhar por elas. (eu deixei o curso de serviço social a meio, se calhar devia voltar, voltei a apaixonar-me por estes assuntos) ;)
    Bjos

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    1. Penso que a petição é mais para criar urgência na resolução do caso de modo a que rapidamente se analise a família, as necessidades e demais problemas para que quando reunidas as condições as crianças possam regressar. Até porque não acredito que as crianças sejam retiradas das famílias de ânimo leve. Eu sou de comunicação mas se tirasse outro curso agora seria de

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  5. Assistente social porque também estou cada vez mais interessada nestas causas e penso que com a idade e a maturidade que esta trouxe adoraria trabalhar em serviço social.

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  6. http://coisasdepais.blogspot.pt/2015/10/coisas-que-me-revoltam.html

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Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!