7 de outubro de 2015

Preparação para o baptismo do meu afilhado

Foi ontem. E não podia ter começado pior. Ainda estava na rua à espera dos meus amigos e do padrinho, quando vejo sair um pai, da sala pastoral, a arrastar um miúdo de 7/8 anos. Foi para a lateral para lhe poder dar umas palmadas. Eu percebi logo. O miúdo chorava e gritava, implorando ao pai que parasse. Eu fui andado ali à frente, como quem não quer a coisa, até ficar visível e o pai me ver. E viu. Parou de bater, mas continuava a agarrá-lo, a gritar. Eu ali fiquei, a fazer-me de intrusa. Completamente incomodada com a cena. O pai gritava, dizia que era ele que mandava e que quando o chamava o miúdo tinha de vir logo. O miúdo tentava justificar-se, mas o pai gritava que não queria ouvir e que por ele o trancava no carro sozinho, mas que não podia. Voltaram para dentro. E eu fiquei incomodada. Também já perdi a cabeça e já dei uma palmada, mas, felizmente, de há já muito, muito tempo para cá, com a ajuda da visão da Magda, que percebi que mãe é que queria ser para os meus filhos. E não quero gritar, não quero bater, muito menos descontrolar-me a açoitar um filho gritando a minha autoridade  e exercendo-a através do medo. Foi horrível. Incomodou-me imenso. Pelo que percebi o miúdo tinha-se afastado do pai, através da irmã ou assim, enquanto esperava que começasse a reunião de preparação para o baptismo. Isto dentro do centro pastoral. Não quero julgar aquele pai, não sei nada da vida deles, mas a mim meteu-me confusão e só me apetecia abraçar o miúdo e acalmá-lo. Claro que os miúdos nos levam ao desespero, claro que desobedecem, desaparecem, correm quando é para estarem quietos, mas nós somos os pais e temos obrigação de nos controlar e fazer com que eles obedeçam e colaborem sem gritos nem violência. Depois desta cena lamentável - em que às 21h30 aquela criança devia estar na cama e não a entrar para uma reunião dirigida a adultos que terminou às 23h - o pai foi sentar-se a dizer ámen a tudo o que o diácono explicava sobre a preparação para o baptismo. E o menino adormeceu de cansaço no colo da mãe. E eu só posso ser testemunha e não madrinha porque como não sou crismada, não cumpro os requisitos aos olhos da igreja. Nem eu nem a minha amiga queremos saber e não me sinto menos madrinha, muito pelo contrário. Serei madrinha com todo o amor e coração, e ajudarei o meu afilhado mais querido em tudo o que ele precisar, pela vida, fora para que seja um bom rapaz, feliz e com bons valores. E desejo que ele encontre na minha casa, a sua segunda casa.

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