10 de dezembro de 2014

Quando os nossos filhos não querem comer!

O meu filho mais velho é mau para comer. Desde que deixou de mamar em exclusivo aos 4 meses, porque eu tive de ir trabalhar, deixou de ter percentil. Foi automático. A introdução das papas e das sopas correu mais ou menos, mas depois alimentá-lo passou a ser um inferno. Eu desesperava horas com ele à mesa. Fazia tudo para o distrair e ele comer. E ele não comia. E as refeições, durante a semana praticamente o único tempo em família, eram um pesadelo. Gritos, choro, birras e comida zero. O pediatra dizia para eu não me preocupar. Que ele estava bem. Que era de comer pouco. Dormia muito para repor a energia, mas não comia muito. Eu que não preocupasse que ele tinha um desenvolvimento extraordinário e que era a estrutura dele. Mas eu, mãe de primeira viagem, achava que ele ia morrer de fome. 

Ainda hoje, a chegar aos 5 anos come pouco, muito pouco. Já tem um percentil de peso a rondar os 10/15, mas eu é que aprendi a lidar com as questões da alimentação de outra forma. Nasceu o Afonso, há 18 meses, e era um comilão! Dava gosto. Mamava, mamava, comia sopas, fruta, prato e mais que fosse. Nunca foi gordo, também no percentil 10/15 de peso, mas a comer com gosto. Mas depois, isso mudou. 

Esteve quase uma semana sem querer comer, stressei um pouco, mas depois relaxei e, acima de tudo, não lhe passei esse stress e não o forcei a comer. Custava-me que o meu único filho que comia bem deixasse de o fazer, mas resolvi não valorizar. Estar atenta, sim, a falta de apetite podia denotar algum problema, mas não era nada disso. Na escola também comia com menos gosto, mas lá ia comendo.

E hoje em dia, tem dias em que come lindamente e outros em que diz que não quer comer. Eu pergunto e se ele diz convictamente não, eu não insisto. Tiro-o da mesa e não o obrigo a jantar. Claro que me custa, mas sei que são fases. E que nesta altura de descoberta do mundo há coisas muito mais interessantes para fazer que comer. E nuns dias come melhor, noutros pior, mas eu é que não quero passar horas à mesa numa luta inglória de os forçar a comer. 

Claro que se não comem, não há bolachas nem cereais nem nada. Mas eles nunca foram desses alimentos e quando não comem é porque não têm mesmo fome. 

Claro que o mais velho nunca quer jantar, por isso, com ele as regras são um pouco diferentes e tem de comer sempre a sopa e um pouco de resto e de fruta. Tudo em pequenas doses, mas tem de ser.

Custa imenso quando os nossos filhos não comem, fazemos tudo para os distrair e para os obrigar a comer, mas a certa altura as refeições tornam-se um circo. E é asneira. A certa altura já é um braço de ferro entre eles e nós. E como me disse o pediatra, na guerra das refeições, eles ganham sempre e nós ganhamos nervos e cabelos brancos.

Se há por ia mães a desesperar, tenham calma e falem com o pediatra. E se ele diz para desvalorizar, desvalorizem. As crianças não morrem de fome com comida à frente. E se as avós ainda desesperam mais que nós, desvalorizem. E não transformem as refeições num inferno nem lhes criem aversão à comida. 

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