11 de dezembro de 2014

O Natal da minha infância


Não tenho as melhores recordações dos natais da minha infância. A árvore era feita com imenso requinte, como tudo em casa dos meus pais, eu e a minha irmã recebíamos sempre imensos presentes (as últimas novidades, muitas vezes vindas do estrangeiro porque os meus pais viajavam imenso), tínhamos sempre umas roupas compradas ou feitas na costureira para a ocasião em tafetá, veludo ou outros tecidos que picavam, quase não nos podíamos mexer e não tínhamos primos nem crianças da nossa idade para brincar. Se calhar, se perguntar à minha mãe, ela acha que eram os melhores natais do mundo e ficaria de coração partido por eu não ter a melhor recordação desses tempos. Era sempre tudo muito formal - a minha família é de um formalismo atroz - e sempre igual. Sempre o mesmo menu, seguido dos presentes e da missa do galo. Havia muito amor e muito mimo, mas os  meus pais costumavam discutir muito nesta altura (o meu pai já não tinha pais e queria sair de Lisboa, mas a minha mãe fazia questão de passar a véspera e o dia sempre com os pais e o irmão dela). Claro que nas fotografias eu e a minha irmã estamos com um ar feliz com os presentes, mas eu sentia que faltava alguma coisa… ou agora, olhamos para trás, acho que faltava alguma coisa, mesmo que na altura não tivesse essa noção. Era assim. E parecia perfeito. E é isso que me faltava que eu quero que os meus filhos tenham no natal: Uma família grande, barulhenta e divertida à mesa. Muitos primos para brincarem. Conversas e brincadeiras que se prolongam sem formalismos. O melhor de cada um de nós naquele almoço de 25 que só acaba, já de noite, quando são horas de deitar as crianças. Não há pressas, não há crianças espartilhadas em roupas que não deixam brincar, há risos, correrias e muita alegria. Há gosto em partilhar aquela festa, que é a festa da família. Por causa da minha recuperação, achei que ia falhar este natal, mas se tudo continuar a correr bem como até aqui, vou poder estar com o meu marido, os nossos filhos e a família dele, que é também agora minha, a festejar o dia 25 de Dezembro, em amor e alegria. E com o riso das crianças sempre como pano de fundo. Boas Festas!

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