4 de outubro de 2013

O difícil adeus à chucha

O meu filho mais velho sempre quis ser crescido. Aí de quem o chame de bebé que responde logo com um já tenho 3 anos! Deixou a fralda num só dia antes dos dois anos e meio, não usa babetes há séculos, usa garfo e faca e pratos como os nossos. Desenrascado como tudo, mas tinha um grande amor de bebé: a chucha. Ou melhor, as chuchas. Eram 3 no passado, mas ultimamente só duas. Um vício, um conforto. Na creche há um ano que já não usava nem tinha, mas para dormir em casa continuava a não querer deixar: eu gosto tanto das minhas chuchas, mãe. Tentou duas vezes sem sucesso e eu não insisti. Ia falando no assunto, mas sem criar grande pressão. Até porque há 5 meses e meio nasceu o mano e achei que não era boa altura. Mas estava prometido um beyblade, mas ele dizia sempre: outro dia, mãe. Mas hoje de manhã decidi nova táctica e disse-lhe que lhe ia comprar um beyblade, que ia ficar em casa para ele ver até deitar a chucha fora.  Disse logo que sim e que já era crescido. Quando o fui buscar perguntou se tinha comprado o beyblade e ficou num excitamento. Em casa viu a embalagem e pode tocar. E não era um beyblade qualquer. Era um beyblade dos dinofroz, um desenhos animados que ele adora! Uma loucura! Combinámos que depois da primeira noite sem chucha receberia o beyblade, mas teria de deitar fora as chuchas. Vou cortá-las com a minha tesoura. E assim fez, dando um grito de guerra: eu tenho bravura!!! Disse que ia ter saudades das chuchas, mas deitou-as fora já decapitadas. Isto foi há 2 horas. E 2 horas foi o que ele demorou a adormecer. Um nervoso. O coração a bater depressa. Saltava da cama e ia à casa de banho. Dava pinotes na cama. Chamava por mim. Pedia mimo, dizendo que já era crescido... Uma dualidade, coitadinho. Quer e sabe que já é um menino grande, mas ainda é pequenino. Ajudei-o a acalmar. E reparei no dedo indicador na boca. E uma onda enorme de amor encheu-me um peito. Hoje é uma noite difícil para ele. É uma noite de teste. É uma noite de mudança, de uma mudança que ele quer que aconteça. Mas é uma noite difícil e de ansiedade. E agora vou lá ver se ele já dorme e dar-lhe mais um beijo. Porque como ele disse, o meu filho tem bravura!! E foi um acto de bravura destruir uma coisa tão preciosa. Espero do fundo do coração que ele ultrapasse rapidamente esta fase e olhe para a chucha como algo do passado. Boa noite, filho lindo do meu coração.

1 comentário:

  1. Uau, que crescido, que corajoso!
    O meu, há uns seis meses mais ou menos, num acesso de raiva atirou com a chucha quando foi à procura dela já não a encontrou... A coisa também estava difícil e nós também não insistíamos, mas depois aproveitámos aquele momento, e como foi ele que a a atirou nunca reclamou e hoje já nem se lembra.
    Mas uma coisa assim consciente e a requerer um esforço desses é fantástico. Parabéns!

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Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!