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"Empresas obrigam mulheres a garantir que não vão engravidar durante cinco anos"

Li este artigo do Público sobre a maternidade e a paternidade em Portugal. Soa-me tudo a conversa fiada. Os números da natalidade são desastrosos e as estatísticas apontam para uma diminuição dos nascimentos nos próximos anos. A mim, dispensaram-me quando entrei de baixa por gravidez de alto risco, depois de no espaço de um ano ter sofrido dois abortos. Muitos nervos e a incerteza (desemprego) do futuro. E o medo que está situação de nervos e ansiedade me provocasse um novo aborto. Decidi que não me podia enervar. A prioridade era aquele bebé que crescia dentro de mim. Ia descansar e fazer tudo para que ele não fosse afectado por aquela maldade que me estavam a fazer. Depois, resolvi não ficar calada. Processei a empresa. Ganhei. Fi-lo por mim, mas por todas as mulheres que são vítimas de descriminação. Que são afastadas porque são mães, porque têm uma gravidez de alto risco ou porque precisam de ir com os filhos ao médico. Esta não foi uma decisão fácil. Pensei em não me chatear, até para não passar stress para aquele bebé tão desejado que crescia dentro de mim, Tive a sorte de ter um amigo advogado que tratou do processo todo e me representou de forma muito digna, avisando-me logo que ele é que trataria de tudo. É preciso que quem descrimina se sinta mal com isso, se sinta envergonhado e seja obrigado a pedir desculpas e a reconhecer que errou. Eu estava de repouso, gerindo a gravidez de alto risco com um filho de 2 anos e meio que precisava de colo, de mimo, de muita mãe. A baixa por alto risco acabou, o meu bebé estava em segurança, chegou o subsidio de desemprego e todo o tempo do mundo para ser mãe do meu filho mais velho, mulher, dona de casa e preparar a chegada do bebé. O processo ia decorrendo entre os advogados. E eu tinha tempo para mim e para os meus, como nunca tinha tido. Apresentava-me grávida no centro de emprego. Pensava sobre o futuro incerto, mas tinha a sorte de ter um marido empregado e uma situação financeira que nos permitia não ter medo e aproveitar o tempo para preparar a chegada do Baby com toda a calma. Nunca o filho mais velho tinha tido tanta mãe.  Era dos primeiros a sair da escola e eu era uma mãe com tempo, paciência e disponibilidade. Foi uma fase boa, provocada por uma situação muito má e muito injusta. Eu tinha estado sempre lá para a empresa. Só parei 3 meses quando nasceu o meu filho mais velho e trabalhei sempre vestindo a camisola. Qual foi a paga: a tua gravidez e uma baixa de algo rico não dão jeito!! 

Comentários

  1. Infelizmente não temos todas amigos advogados que nos dêem uma mãozinha, e é pena. Infelizmente também as mulheres como chefias são mais crueis que a generalidade dos homens.
    Bjos

    Maggie

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    Respostas
    1. É verdade que tive sorte de ter um amigo advogado que me ajudou. Se não tivesse, talvez não tivesse tido a força de seguir com o processo. É desgastante. Foi uma gravidez de baixa de alto risco sempre a pensar no processo, a rever depoimentos, a juntar documentação... O processo arrastou, o meu filho nasceu, eles não quiseram chegar a acordo, fomos a tribunal já o meu bebé tinha 9 meses. Foi um desgaste!

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