7 de março de 2017

"Já vou!"

Hoje fiquei com um aperto e um nó na garganta! Estava a contar a história da noite aos meus filhos sobre o hamster Bolt (que o meu filho pediu ao pai para o 8º aniversário) que se tinha perdido, no meio dos embrulhos de Natal. Quando o dono do hamster deu pela falta do bicho foi ter com a mãe e pediu ajuda. A mãe disse logo: vamos procurar o hamster. E o meu filho interrompe e diz: se fosse na vida real tinhas-me dito que já ias porque tens sempre muitas coisas para fazer e dizes quase sempre já vou... Aqui senti um aperto! É isto que ele sente?! É verdade que digo muitas vezes que já vou, mas não é porque não quero ir, mas porque estou a dar banhos, mudar a fralda, a preparar mochilas, a arrumar compras de supermercado, a decidir refeições, a limpar o chão, a adormecer a Francisca, a ajudar com TPC's... Expliquei isto ao meu filho, dizendo que lamentava profundamente que ele achasse que eu não tinha tempo ou que as coisas dele não eram importantes... Porque são. Ainda hoje fui numa corrida ao Colombo para tentar mandar vir umas chuteiras da Sportzone que não existem em Lisboa, mas que existem em Viseu e em Torres Vedras. Eu bem tento ser um polvo e conseguir fazer tudo, mas a verdade é que digo muitas vezes: já vou... quando estou a meio de outras coisas... Vou ter mais atenção, tentar alterar a frase, porque não é mesmo má vontade ou falta de interesse, não é por estar repimpada no sofá a ler ou a pintar as unhas, é mesmo porque estou a tentar fazer tudo... Mas foi bom ele ter dito o que sentia para eu lhe explicar que ele é importante, que o ouço e estou atenta, e também para tentar sempre que possível agira na hora, porque lá está, como ele é o mais velho e o mais autónomo é possível que às vezes exija mais dele do que dos irmãos... e ele ressente-se disso. Por isso é que o momento de deitar é tão importante, é tempo de reflexão, de desabafo, o mais velho usa as histórias da noite para questões do dia a dia, para fazer perguntas, reclamações... São momentos muito importantes. 

1 comentário:

  1. Não pudemos fazer tudo! Fazemos o melhor que pudemos!Beijinho grande.

    ResponderEliminar

Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!