17 de setembro de 2014

"As crianças absorvem mais radiações dos telemóveis que os adultos. E agora?"

Tão interessante este artigo que encontrei no blog do médico e pai João Moreira Pinto "E os filhos dos Outros", que resolvi partilhar aqui. Claro que não podemos deixar de usar telemóveis nem tablets e outros gadgets, mas podemos pensar nisto e ter um comportamento mais controlado que envolva menos riscos para a nossa saúde e dos nossos filhos.


"As crianças absorvem mais radiações dos telemóveis que os adultos. E agora?
 Este artigo do  Journal of Microscopy and Ultrastructure deixou-me algo apreensivo. Os autores pertencem ao Environmental Health Trust, uma ONG americana que se dedica a estudar os perigos para a saúde pública do tabaco e, mais recentemente, das radiações dos telemóveis e outros dispositivos móveis. Apesar de poder haver algum viés de avaliação, o artigo cita estudos científicos claramente independentes e algumas conclusões deixam-nos a pensar:

  1. As crianças absorvem mais radiações micro-ondas do que os adultos. Isto não é completamente novo, pois pela sua composição, já sabíamos que a exposição a radiações ionizantes (como as presentes nos Rx e TAC) eram mais absorvidos pelos cérebros das crianças.
  2. As radiações micro-ondas penetram mais profundamente nos cérebros das crianças. Isto acontece porque as crianças têm pele menos espessa, o crânio mais fino e uma cabeça mais pequena.







Os autores chamam também a atenção para os efeitos das micro-ondas sobre os organismos vivos. Num exemplo, a exposição de fetos de ratos a telemóveis durante a gestação resultaram em alterações do tipo das encontradas em crianças com hiperactividade e défice de atenção. Os autores também citam alguns estudos que relacionam o início precoce da utilização/propriedade de um telemóvel em crianças e adolescente com o aparecimento de tumores cerebrais. Em adultos, a exposição do telemóvel pode estar relacionada com tumores da mama (aparentemente, existe um hábito muito americano de as raparigas o usarem preso no sutiã), tumores das glândula salivares e infertilidade.

Como disse anteriormente, este artigo foi escrito por membros de uma ONG que está convicta que os telemóveis estão a aumentar a incidência de cancro na população. Apesar de ter passado pelo crivo dos revisores duma revista prestigiada como o Journal of Microscopy and Ultrastructure, os autores não citam uma série de artigos que contradizem esta teoria (ver por exemplo
esteeste) e, a páginas tantas, dão a entender que são as empresas telefónicas que tentam calar os investigadores (o que também não abona a favor da credibilidade de quem escreve um artigo que se quer científico).

Para mim é ponto assente que toda a tecnologia que dispomos hoje - sejam telemóveis, computadores ou outros dispositivos wireless, têm feito mais para salvar vidas do que as eventuais consequências negativas para a saúde que estão por provar. De qualquer forma, e não havendo conclusões claras sobre se a exposição aos telemóveis e outros equipamentos wireless são ou não prejudiciais é preferível tomarmos a atitude da OMS e tê-los como eventuais carcinogéneos.  Assim, não custa nada ter em mente algumas recomendações que os autores deixaram em entrevista à Medscape.



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