7 de abril de 2017

"A vida continua", dizia-me ela...

Falava com a minha amiga que tem a filha mais nova internada em isolamento total no IPO, onde desde Setembro luta como uma guerreira contra o cancro que lhe apareceu, e a certa altura, eu dizia: até me sinto mal quando tantas vezes me queixo das noites mal dormidas, disto e daquilo e depois penso em vocês, em vocês os 5, na vossa filha mais nova (quase a fazer 3 anos) e sinto-me a pior pessoa do mundo por me chatear com merdices... E dizia-me ela: "quando saio daqui (ela reveza-se com o marido, alternando os dias, para cuidarem das outras filhas) também me enervo, também me irrito por porcarias insignificantes... Apesar de tudo, a vida continua, tem de continuar..." Não sei onde eles vão buscar forças para enfrentar a doença da filhota deles, como aguentam o sofrimento, as dores, a quimio, o desconforto e tudo o que a filha está a passar... E o prognóstico para este tipo de tumor é tão reservado, a esperança de vida é tão reduzida (contava-nos o pai)... Hoje eles vêm cá jantar... Ou melhor, o pai vem cá jantar com as outras filhas, depois a mãe vem trocar com o pai, segue ele para o hospital, para junto da pequenina, e a mãe segue para casa com as outras duas... E amanhã trocam outra vez, e outra vez... E a pequenina já está em isolamento há 15 dias e ainda vai estar mais 15... Começa a ficar saturada, impaciente... como podem imaginar que estará uma menina de quase 3 anos fechada num quarto de vidro, para onde dar brinquedos é uma complicação porque têm de ser esterilizados até à última.. Enfim. Uma dor de alma. É preciso acreditar, ser optimista, esperar milagres, progressos da medicina... É pena o amor não curar tudo, porque se assim fosse a pequena C. estaria curada... 

1 comentário:

  1. É uma dor de alma, mesmo... sabes que acho que o meu pai conhece esta pequena guerreira! Falava-me há dias de uma pequenina, também ela uma C., que ainda não tem 3 aninhos. "Tão querida!!" - dizia-me ele. Durante a fase mais crítica da doença do meu pai, foram muitas vezes as crianças, que infelizmente lá estavam, que lhe deram muita força e esperança. "Ensinam-nos a lutar", diz o meu pai.
    Um grande beijinho :*

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Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!