11 de junho de 2015

Uma história diferente na hora de deitar

Hoje na história da noite surgiu a pergunta: mas como é que o Zé não é mesmo meu primo? Se a mãe dele é minha tia! E eu expliquei que a tia A. é tia emprestada, não é como as tias que são irmãs dos pais. E o meu filho mais velho, curioso como sempre, quis saber quem eram os tios emprestados e os primos emprestados. Como é que vieram parar às nossas vidas, como os conhecemos. O pequenino entretanto adormeceu e ali ficámos nós a conversar, a partilhar histórias. Recuei aos tempos da infância, do liceu, das férias de verão, da faculdade, do primeiro trabalho... E ele estava encantado a ouvir e a fazer perguntas. É um miúdo curioso e eu gosto de lhe alimentar a curiosidade. Não tem medo de perguntar e sabe que lhe daremos sempre a melhor resposta. E hoje ficou a saber a história de alguns tios e tias, que estão sempre presentes nas nossas vidas, e que se misturam com os muitos irmãos, irmãs, cunhados, primos e primas que fazem parte do nosso núcleo familiar. Além do quem é quem falámos do bom que é termos tantas pessoas que amamos, que nos conhecem bem e que apesar de não serem da nossa família de sangue, são da família do coração... E que ele os trata por tio e tia (não por snobismo) porque tio é alguém especial, alguém que dá colo, mimo e de quem gostamos muito e é uma forma de dizer que escolhemos essa pessoa para fazer parte da nossa vida e da nossa família escolhida. No meio da conversa o meu filho ficou feliz porque o Zé não é mesmo primo dele. Ficou aliviado: oh, mãe, é que eu não gosto mesmo dele. Faz birras e é mariquinhas. Não sabe jogar à bola nem andar de bicicleta! Ao que eu respondi: mas a mãe dele é muito minha amiga, é madrinha do mano e tudo. E ele não se ficou: a tua amiga pode vir cá a casa, mas diz-lhe que não traga os filhos que nós não gostámos muito deles. Ou traga a bebé que ainda não chateia. Ao que eu expliquei que não era possível. E que éramos muito amigas. E ele disse: ela é tua amiga, mas eu não quero ser amigo deles. E está no seu direito... Temos de ir contornando a situação, esperando que seja uma fase (eles hoje discutiram imenso e pegaram-se o tempo todo que a minha amiga veio cá fazer uma visita) mas não podemos forçar as crianças a gostar de quem não gostam e com quem não têm afinidades. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!