20 de fevereiro de 2017

Agora são gritos a meio da noite!

Não sei se são terrores nocturnos, pesadelos ou que é... Mas a Francisca, agora que a íamos mudar para o quarto dos irmãos, grita e chora a meio da noite como se estivesse cheia de dores, estridente... Está descontrolada, a dormir... Eu espero uns segundos/ minutos para ver se ela se resolve sozinha, porque já percebi que há momentos em que eu interfiro e ela fica ainda mais exaltada, parece possuída, mas há noites em que só acalma ao meu colo e com leite... Não sei se são terrores nocturnos, até porque ela só tem um ano, mas é um distúrbio no sono... Este processo não demora muito tempo, mas é aflitivo acordar com os gritos dela... Por sorte, no quarto ao lado, os irmãos não acordam... Mas não a podemos mudar de quarto agora.

TERRORES NOCTURNOS

Não se devem confundir terrores nocturnos com pesadelos, e a idade em que acontecem os primeiros é mais precoce. No terror nocturno, a criança grita – muitas vezes um autêntico grito de terror, mas ao contrário do pesadelo, em que o próprio está assustado, quem fica mais receoso, neste caso, são os pais -, senta-se, está agitada, parece estar a lutar contra monstros ou «possuída», às vezes quase alucinada. Mas não está acordada, como nos pesadelos.

Quando os pais se aproximam, a criança parece não perceber quem eles são e até os afasta, com comportamentos que parecem ilógicos. «Então nós estamos lá e ela parece que não nos quer!» - Quantas vezes já ouvi isso. O que acontece, no terror nocturno, é uma mudança do ciclo de sono, mais na segunda metade da noite, com um estádio que nem é de dormir nem é de acordar, uma zona cinzenta que não dá para perceber a realidade como é, mas que a inclui no sonho – e os pais podem parecer os hipotéticos monstros que a perseguiam. Tentar acalmar não resulta, para desespero dos pais – mas nunca se esqueçam que, por paradoxal que pareça, aquela figurinha a mexer-se, a gritar e a espernear, não está a sentir medo. Repito: um terror nocturno não é um pesadelo. Muitas vezes não fazer nada é a melhor solução e a criança volta a deitar-se e a dormir.

O QUE FAZER NUM TERROR NOCTURNO?

Há duas hipóteses, para os pais actuarem. Uma, que resulta pouco, é tentar que a criança acorde. Se ela acordar e percepcionar os pais, já rompeu com o estádio anterior e a partir daí poderá regressar ao sono, se bem que possa aí ter medo. Outra opção – que resulta mais frequentemente – é não a acordar e, pelo contrário, reencaminhá-la para o sono, «reescrevendo» o guião do filme. Dizendo, por exemplo, «e depois veio o Noddy e o Ruca (ou qualquer outro herói do momento), e mais o teu ursinho, e então os maus foram embora e foram todos fazer um grande ó-ó porque estavam muito cansados e foi muito bom».

Tudo isto dito em voz «off», calma e tranquila, ajeitando a criança na cama e transformando esse momento de completa disrupção numa reorganização corporal e mental. Passado um bocadinho a criança está a dormir.

Da Revista Pais & Filhos, todo o artigo aqui.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!