13 de setembro de 2017

Conversas com o meu filho mais velho

A pé, a caminho da escola. Está um funcionário da junta a varrer o chão. Ele diz que aquele trabalho é mau. Coitado do senhor. Eu concordo com ele, é um trabalho duro, ao vento, ao frio, chuva ou calor, mas muito necessário para as nossas estarem limpas. 

E ele diz: espero que lhe paguem muito bem. Eu digo que infelizmente nem por isso... 
Ele pergunta o valor. Eu não sei ao certo, mas digo um número aproximado. Ele acha muito dinheiro, claro. Não tem noção. Mas depois pergunta quanto eu ganho. Lá lhe digo, apesar de não gostar muito dessa conversa. 

Ele depois pergunta se me pagam aos poucos todos os dias. Eu digo que não. Que pagam tudo junto no fim do mês. 
E ele diz: e se não fizeres bem o teu trabalho? 
Eu digo que recebemos sempre o valor acordado. 
Ele diz que não faz sentido nenhum. 
Eu explico que nós somos pessoas, não somos máquinas, damos todos os dias o nosso melhor, mas há dias que correm melhor, outros pior... tal como ele na escola, uns dias porta-se melhor outro pior... 

Mas ele continuou a achar estranho receber dinheiro por um trabalho mal feito! O mundo visto pelos olhos das crianças é incrível... 

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