17 de outubro de 2018

Voltei ao tema do Ronaldo e consegui falar com o meu filho mais velho...

Tinha aqui partilhado neste post que quando, logo ao início, o meu filho mais velho me perguntou o que se passava com o Ronaldo eu fui apanhada de surpresa e não soube responder... Ele não sabia o que era uma violação, como explicar tanta coisa? Arrependo-me de não ter pensado rápido e de não lhe ter respondido. Depois, li algumas coisas sobre o assunto e a forma de abordar esta notícia, de forma adequada aos 8 anos dele, e ontem puxei a conversa e disse que já sabia o que tinha acontecido com o Ronaldo e a rapariga. Frisei bem que não estávamos lá para ver e que todos são inocentes até um juiz provar o contrário. Ele disse logo que os juízes têm de ser pessoas muito sérias. E expliquei que, ao que parece a rapariga estava a dançar com o Ronaldo e parecia que ela queria namorar com ele... O Ronaldo beijou-a, mas depois ela mudou de ideias e o Ronaldo continuou a beijá-la. E que se fez isso é errado porque não podemos forçar ninguém a beijar-nos ou a namorar connosco... Para mim, o cerne da questão era este: Não beijar quem não quer ser beijado, não nos deixarmos beijar se não queremos. É o nosso corpo. A nossa intimidade. Os nossos limites.

E aqui caímos num tema que parece que está ao rubro nas redes sociais por causa de um professor que disse, no Prós e Contras da RTP, que eu não vi, que não devemos obrigar as crianças a dar beijos, nem às avós. Não sei o contexto em que ele falou e parece que há grande polémica, mas em relação a forçar a dar beijos, eu concordo que não se deve obrigar. Sempre fiz isso. Já fui criticada e olhada de lado. A minha mãe espuma de fúria quando os netos não lhe querem dar beijos e eu não obrigo. Os beijos conquistam-se. Os afetos não são forçados. Eu acredito que nisto. Acredito que não devemos forçar o contacto físico, que não podemos ensinar as crianças que dão donas do corpo delas, se depois as obrigamos a dar beijos... claro que há crianças que estão na boa, mas há outras para quem dar um beijo a um estranho - uma amiga vossa que encontram na rua e não vêm há anos, apresentam o vosso filho lindo e ele é obrigado a beijar uma estranha ali na rua, sem razão nenhuma -. Para mim não faz sentido. Não serei a única, a Ursa, Quadripolaridades, escreve muito bem sobre isso, não só como mãe, mas como psicóloga. Eu tenho três filhos e sei que para um deles os beijos a estranhos são um terror, odeia chegar a algum sítio cheio de gente, odeia que estabeleçam contato com ele nos primeiros minutos. E foi ele que me ensinou que não posso obrigar a dar beijos. E não é mal-educado por isso. Um olá, boa tarde ou adeus são suficientes. Para mim, para os meus filhos. E eu farei sempre o que achar que é melhor para eles.

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