27 de novembro de 2019

Fui uma entrevista e a possibilidade de voltar a trabalhar em full time ficou em cima da mesa...

... E senti-me engolida. Comecei a pensar na logística que ia ser necessária para entrar às 8h30, tinha de começar a deixar os meus filhos no ATL da escola às 7h30. Depois eram 45 minutos até ao trabalho. Uma avença mensal de parque de estacionamento. Um horário completo até às 17h30, sendo que o volume de trabalho, a responsabilidade do cargo e a relação/dependência com outros departamentos era tão grande que houve logo a questão sobre a possibilidade deste horário ser alargado. Logo, tinha de colocar os meus filhos no ATL da tarde até às 19h, sendo que tinha de sair no máximo até às 18h15 por causa do trânsito. Tinha de pagar a alguém para apanhar a minha pequenina no JI às 17h30 para a levar para casa porque ela sem sesta não aguenta nem mais um minuto. Ia deixar de os levar à natação e ao futebol. Íamos chegar a casa às 20h, esfrangalhados e eu teria tudo para fazer - jantar, roupas- até nos sentarmos à mesa quando o meu marido chegasse, pelas 20h15. Depois era comer rápido e cama, que tínhamos de acordar às 6h30. Infelizmente, como podem ler aqui, é a realidade da grande maioria das crianças portuguesas. 

E senti-me sufocada por esta possibilidade. Tenho feito um percurso para ganhar trabalho e clientes como freelancer. Tenho estado a conseguir o meu caminho, os meus trabalhos. Financeiramente ainda é complicado, ainda não tiro um ordenado todos os meses, mas poupamos o ATL, nenhum filho o frequenta, poupamos empregada doméstica porque eu durante o dia, como estou em casa vou assegurando as coisas enquanto me levanto para esticar as pernas, poupamos gasolina, porque trabalho em casa...

Investi numa pós-graduação nesta área onde me quero afirmar... E tenho trabalho na área que mais me realiza.  Tenho várias encomendas para os próximos meses de projetos que me enchem a alma. E, acima de tudo, tenho 3 grandes projetos que são os meus filhos. Prefiro ter menos dinheiro ao final do mês, esticarmos mais o ordenado do meu marido, mas garantir que lhes dou o tempo de que eles precisam. E em conversa com o meu marido senti que somos privilegiados, eu sou privilegiada porque escolho não deixar os meus filhos 10 horas na escola. Tenho essa sorte. E os meus filhos também. E, nesta fase da vida deles, não me quero comprometer com um trabalho que me ia roubar toda a disponibilidade. Até porque assim que chegassem as 17h o meu relógio de mãe ia apitar porque é a hora a que eu desligo o computador para os ir buscar. Volto a abri-lo às 22, no sossego da noite. Mas das 17h às 22 quero ser deles. E trabalhar por conta própria permite-me crescer profissionalmente e ter tempo para a família. 

2 comentários:

  1. Se tem essa possibilidade, não abdique dela, por eles e por si.
    Eu faço praticamente o horário que descreve e sinto que todos os dias sufoco um bocadinho, até ao dia em que irei explodir…
    A única sorte das minhas filhas é terem uns avós 5 estrelas, que as vão buscar à escola ás 16h.
    A sua saúde mentar e física não têm preço.
    Adoro a sua escrita
    Bjcs
    Li

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    1. Que sorte têm as suas filhas. Eu também tive avós maravilhosos, espectaculares, ainda tenho a minha querida avó com 97 anos, mas os meus filhos não tiveram a mesma sorte que eu e eu não tenho uma rede que me assegure o dia a dia. Tenho uma cunhada maravilhosa que é o meu braço direito e o esquerdo, mas não lhe posso pedir que faça a minha logística do dia a dia, apenas situações pontuais, os dois avôs já morreram, a minha sogra está internada com a alzheimer e a minha mãe... é uma longa história, há partilhas no blogue sobre o tema. Começou entusiasmada a ajudar, mas rapidamente se foi afastando e as ajudas são muito pontuais e não há grande relação... Basta dizer que só o mais velho dormiu em casa da avó quando era bebé, os outros nunca passaram mais do que umas horas... As suas que aproveitem bem esses avós. É o melhor que há e assim complementam-se.Eu fui basicamente criada pela minha avó.

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Gosto de saber o que as outras vidas têm a dizer sobre isto!