6 de junho de 2018

"Quase metade dos alunos do 2.º ano não sabe saltar à corda ou fazer cambalhota"

"Quase metade dos alunos do 2.º ano não sabe saltar à corda ou fazer cambalhota" saiu ontem em tudo o que era jornais. Este ano, no início do ano, numa reunião com a professora do meu filho mais velho, que está no 2º ano de uma escola pública, ela mandou os pais comprarem uma corda e irem com os miúdos para o jardim. Só um tinha conseguido saltar à corda. (era o meu filho - e aqui o mérito nem é meu, mas do meu marido, super desportista, já que eu também fui criada numa bolha de cuidado para as meninas não se magoarem e não se sujarem!!!!!). 

A professora titular em parceria com o professor de Educação Física trabalhou isso com eles e antes das provas já saltavam todos! Até eu voltei a saltar com eles numa aula de ginástica aberta aos pais.

Em reuniões com a direção, eu faço parte da associação de pais, a conversa da escola é sempre a mesma: não podem saltar, não podem andar na zona de árvores que se sujam, não podem trepar porque caem, não podem jogar à bola porque se magoam. E fui eu que disse ao coordenador do agrupamento que estão a criar totós! Eles não querem processos, pais a refilar nem chatices. Acho mesmo que se pudessem nos intervalos punham as crianças todas em sono induzido... 

Nos parques infantis é semelhante, anda tudo agarrado Às crianças e já me chamaram a atenção duas vezes... Eu deixo-os andar à vontade, jogam, brincam, saltam... e já por duas vezes me disseram que a minha filha não podia subir sozinha as escadas de acesso ao escorrega... que podia cair a subir as escadas. E que ainda bem que ele ali estava para se ela caísse. Ao que eu agradeci e respondi que pode cair, claro que pode, mas tem de subir sozinha para aprender... Talvez por ter três filhos e saber que não posso andar com os três ao colo sou mais descontraída, talvez por ter três filhos eles são mais autónomos e mais desenrascados, talvez porque não os quero numa redoma, talvez porque os deixo saltar, subir e pular, talvez porque são miúdos ativos e com boa motricidade, talvez porque acho que quanto mais protegidos forem menos capazes serão... Uma vez, noutro parque, andava a Kika a subir e a descer o escorrega, feliz da vida, e eu estava sentada na relva com um olho nela e outro nos irmãos, que estavam a trepar num aranhiço para mais velhos... E a Kika super despachada e começam as mães das outras crianças: de quem é esta menina tão pequena? Está aqui sozinha! E descalça! (Foi um dos dias mais quentes deste ano) Eu observei o ar delas, bem crítico, e depois fiz sinal que era minha, sorri, e disse que estava tudo controlado e elas fizeram um ar... O escorrega era para crianças pequenas, tinha apenas dois degraus... mas lá acharam que era um risco eu não estar ali a impedi-la de ter o prazer de subir e descer sozinha! Deixem as crianças brincar, saltar! As crianças são geniquentas e precisam de libertar energia! As crianças precisam de experimentar, precisam de se aventurar, precisam de conhecer os limites do seu corpo, precisam de se superar para ganharem confiança e auto-estima! Nós temos de estar lá para elas, orientar, mostrar os perigos, verificar se as brincadeiras/ equipamentos são adequados, mas deixá-las descobrir... Claro que a mais pequena não sobe a grande aranhiça do parque, até porque não consegue, até pode andar por ali, mas eu explico que não dá, que é para os mais crescidos e oriento-a para onde ela pode estar à vontade... E de vez em quando esfolam-se e magoam-se... aprendem os limites, o que fizeram mal, cuidados a ter e eu dou muitos beijinhos! Cada pai e mãe faz como entende, mas acho que as escolas tinham a obrigação de contraria esta super proteção e é exatamente ao contrário. E coitados dos miúdos, entre pais galinhas e escolas castradoras... ficam totós cada vez mais inaptos fisicamente.

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