Avançar para o conteúdo principal

"Quase metade dos alunos do 2.º ano não sabe saltar à corda ou fazer cambalhota"

"Quase metade dos alunos do 2.º ano não sabe saltar à corda ou fazer cambalhota" saiu ontem em tudo o que era jornais. Este ano, no início do ano, numa reunião com a professora do meu filho mais velho, que está no 2º ano de uma escola pública, ela mandou os pais comprarem uma corda e irem com os miúdos para o jardim. Só um tinha conseguido saltar à corda. (era o meu filho - e aqui o mérito nem é meu, mas do meu marido, super desportista, já que eu também fui criada numa bolha de cuidado para as meninas não se magoarem e não se sujarem!!!!!). 

A professora titular em parceria com o professor de Educação Física trabalhou isso com eles e antes das provas já saltavam todos! Até eu voltei a saltar com eles numa aula de ginástica aberta aos pais.

Em reuniões com a direção, eu faço parte da associação de pais, a conversa da escola é sempre a mesma: não podem saltar, não podem andar na zona de árvores que se sujam, não podem trepar porque caem, não podem jogar à bola porque se magoam. E fui eu que disse ao coordenador do agrupamento que estão a criar totós! Eles não querem processos, pais a refilar nem chatices. Acho mesmo que se pudessem nos intervalos punham as crianças todas em sono induzido... 

Nos parques infantis é semelhante, anda tudo agarrado Às crianças e já me chamaram a atenção duas vezes... Eu deixo-os andar à vontade, jogam, brincam, saltam... e já por duas vezes me disseram que a minha filha não podia subir sozinha as escadas de acesso ao escorrega... que podia cair a subir as escadas. E que ainda bem que ele ali estava para se ela caísse. Ao que eu agradeci e respondi que pode cair, claro que pode, mas tem de subir sozinha para aprender... Talvez por ter três filhos e saber que não posso andar com os três ao colo sou mais descontraída, talvez por ter três filhos eles são mais autónomos e mais desenrascados, talvez porque não os quero numa redoma, talvez porque os deixo saltar, subir e pular, talvez porque são miúdos ativos e com boa motricidade, talvez porque acho que quanto mais protegidos forem menos capazes serão... Uma vez, noutro parque, andava a Kika a subir e a descer o escorrega, feliz da vida, e eu estava sentada na relva com um olho nela e outro nos irmãos, que estavam a trepar num aranhiço para mais velhos... E a Kika super despachada e começam as mães das outras crianças: de quem é esta menina tão pequena? Está aqui sozinha! E descalça! (Foi um dos dias mais quentes deste ano) Eu observei o ar delas, bem crítico, e depois fiz sinal que era minha, sorri, e disse que estava tudo controlado e elas fizeram um ar... O escorrega era para crianças pequenas, tinha apenas dois degraus... mas lá acharam que era um risco eu não estar ali a impedi-la de ter o prazer de subir e descer sozinha! Deixem as crianças brincar, saltar! As crianças são geniquentas e precisam de libertar energia! As crianças precisam de experimentar, precisam de se aventurar, precisam de conhecer os limites do seu corpo, precisam de se superar para ganharem confiança e auto-estima! Nós temos de estar lá para elas, orientar, mostrar os perigos, verificar se as brincadeiras/ equipamentos são adequados, mas deixá-las descobrir... Claro que a mais pequena não sobe a grande aranhiça do parque, até porque não consegue, até pode andar por ali, mas eu explico que não dá, que é para os mais crescidos e oriento-a para onde ela pode estar à vontade... E de vez em quando esfolam-se e magoam-se... aprendem os limites, o que fizeram mal, cuidados a ter e eu dou muitos beijinhos! Cada pai e mãe faz como entende, mas acho que as escolas tinham a obrigação de contraria esta super proteção e é exatamente ao contrário. E coitados dos miúdos, entre pais galinhas e escolas castradoras... ficam totós cada vez mais inaptos fisicamente.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Aos senhores do bebegel

Deviam vender embalagens com Bebegel... Ou sem bebegel... Só mesmo as embalagens vazias. Escusava de ter de deitar o produto fora. Falo por mim, mas acredito que muitas mães e pais deste país iriam comprar!!

Uma enfermeira extraordinária

Neste último turno de enfermagem da neonatologia estava lá o meu anjo da guarda, em forma de enfermeira! Ela esteve uma hora a ajudar-me a dar de mamar à Francisca. E como ela mandou bem!! Pela primeira vez vez, mamou verdadeiramente bem! Com o encaroçar da mama cada vez mais a minha filha rejeitava a maminha, mas a enfermeira ajudou e a Francisca mamou como deve ser até ficar consolada. Que alívio. Depois ainda a deixou ficar ao meu peito, ali pele com pele, a sentirmo-nos uma à outra. Tão bom. Que ajudarão preciosa para a minha filha e para mim, que corria sérios riscos de fazer uma mastiste, uma vez que o leite estava todo a encaroçar. Agora é esperar 3 horas para ir de novo ter com a minha boneca, esperando que ela durma o tempo todo que está lá nas luzes ( espécie de encubara com raios ultra violeta)  para não lhe custar tanto. Não dói nada, mas é chato estar com uma venda nos olhos ali deitada no solário . E no fim deste ciclo de 8 horas vão ser reavaliada e ainda há possibi...