Faz um ano que o Covid chegou a Portugal e faz também um ano que deixámos de entrar com sapatos em casa. Era uma coisa que queríamos fazer há muito tempo, mas faltava-nos a determinação e a convicção para dizer: descalcem-se, por favor. Adaptámos o contar de gás (que não temos) para sapateira e é lá que ficam os nossos sapatos. Não tivemos praticamente visitas no último ano, mas quem cá veio deixou os sapatos à porta. Comprámos aquelas botinhas para os sapatos, como nos hospitais, e também tenho meias quentinhas para quando os amigos voltarem a entrar... O importante é que sapato da rua não entra! E até me faz impressão pensar que toda a vida - mesmo quando tinha filhos a gatinhar pelo chão - entrámos com sapatos da rua, trazendo todo aquele lixo invisível agarrado aos pés. O importante é que mudámos. E para melhor. E é como se o tivéssemos feito toda a vida...
Nasceu ontem, como previsto, de cesariana e já está connosco. É linda e é a nossa princesa. Estamos as duas bem e eu passei a noite, ensonada e estremunhada, a chamar-lhe Afonso... E estava toda vestida de cor de rosa... Bem-vinda, filhota!
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