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Despedindo-me deste ano de 2020

 Foi um ano louco. Assustador, em algumas alturas. Foi um ano de teste à resistência do meu casamento porque, de repente, estamos sempre juntos, desde março. Eu trabalhava em casa, já há uns anos, mas sozinha passámos a estar os 5 em casa, numa casa minúscula para estarmos 24 sob 24h, todos os dias, todas as semanas, todos os meses... E foi como se tivesse sido engolida pelo trabalho, pela casa, pelos filhos, pelas máquinas da louça e da roupa que funcionavam sem parar, pelas refeições, compras de supermercado. O verão foi uma pausa muito boa. Um verão diferente, fora de confusões e de praias cheias. Umas férias 5 estrelas, mesmo perfeitas. Tudo ficou mais simples em casa em setembro, com o regresso dos miúdos às escolas e às atividades, mas estamos todos muito mais em casa. Para já, ninguém muito próximo ficou doente, apesar de conhecermos avós de pessoas próximas que morreram com o vírus. Nenhum de nós perdeu o trabalho, se bem que eu tive menos projetos, já que o ramo edito...

Trabalhar até a lua cheia aparecer

Este meu mini escritório foi criado durante o confinamento, em Março, quando veio a família toda para casa e era preciso mais espaços de trabalho. Gosto tanto de trabalhar aqui, no meu quarto. Criei um espaço pequeno, mas cheio de luz, à janela.  De dia, tenho folhas e melros como companhia, quando trabalho até tarde tenho, muitas vezes, a lua como companhia.

Mais uma sugestão de leitura encantadora!

A minha filha recebeu este livro e tinham de ver a alegria quando percebeu que já conhecia a história porque a educadora já o tinha contado. O livro foi-me recomendado por umas colegas da pós graduação e fiquei rendida.  É muito bonito. " Depois da Chuva " é um livro especial... " uma fábula moderna sobre a superação das adversidades, a adaptação ao meio envolvente e a colaboração de uns e de outros para a sobrevivência do coletivo. Uma chuva diluvial inunda o bosque e os seus habitantes são obrigados a abrigarem-se num refúgio improvisado. Uma raposa oferece-se para ir buscar comida e água, mas os seus companheiros não acreditam nas suas capacidades - nem nas suas intenções - e distribuem essas tarefas pelos outros animais..."

Quando os amigos se tornam família e ainda escolhem ser nossos vizinhos!

O meu filho do meio trouxe-me uma amiga muito especial. Conheci-a por ser mãe de um amigo do jardim de infância, fomo-nos conhecendo e tornámo-nos grandes amigas. É daquelas amigas que até me pergunto, como passei tantos anos sem a sua amizade. A melhor ouvinte, a melhor conselheira, boa companheira, amiga sincera. Gostamos das mesmas coisas (tirando as cores, já que para ela a palete de cores se resume ao azul escuro e ao cinzento e eu gosto é de unhas vermelhas, lenços rosa e casacos amarelos!) e gostamos da companhia uma da outra, seja nas caminhadas, enquanto esperamos pelos miúdos na natação, nos cafés diários ou na partilha de receitas e refeições low carb. 2020 trouxe-a, a ela e à família, claro, para o meu bairro, que agora é nosso. Funcionamos como a rede uma da outra, sabemos que se estivermos atrapalhadas a outra nos apanha os filhos, nos orienta um jantar, o que for preciso. 2020 teria sido muito mais louco sem a sua companhia, sem as suas palavras, sem as nossas caminhadas...

O meu marido sabe que adoro receber livros no sapatinho!

 E estou desejosa de começar a ler este novo livro do Mario Vargas Llosa, que adoro. SINOPSE Guatemala, 1954. O golpe militar encabeçado por Carlos Castillo Armas, e apoiado pelos Estados Unidos através da CIA, provoca a queda do governo reformista de Jacobo Árbenz. Por detrás desta ação violenta está uma mentira que passou por verdade e que mudou a história da América Latina: a acusação — por parte do governo de Eisenhower — de que Árbenz, um líder moderado, encorajava a entrada do comunismo soviético no país e no continente. Neste romance apaixonante, evocativo das suas melhores reconstituições de episódios da vida da América Latina e das suas singularidades, Mario Vargas Llosa funde a realidade com duas ficções: a do narrador que livremente recria personagens e situações; e a que foi desenhada por aqueles que quiseram controlar a política e a economia de um continente, manipulando a sua história, pondo e dispondo da vida de países que tentaram caminhos independentes.

Serei a única que quando vai aos saldos as peças que quer nunca estão em saldos!??

 No Natal demos aos miúdos uns pijamas macaco completos, que eles amaram, e que usam sem parar, até porque estamos mais por casa e sentem-se confortáveis e muito quentinhos. Resolvi ir comprar mais um para cada um e lá fui eu enfrentar a fila matinal da Primark. A fila era grande por causa dos saldos, mas os pijamas não estavam em saldo. Paciência. A vantagem das filas enormes para entrar nas lojas é que lá dentro é uma maravilha, quase ninguém, e não há confusão para pagar. Nem 5 minutos demorei lá dentro.

O Pai Natal trouxe tudo o que os miúdos queriam...

Foi um Natal bem diferente. Estivemos com a família mais alargada (avós, bivó, tios, ptimos) , mas à tarde, sem refeições em conjunto. O São Pedro permitiu e os primos brincaram toda a tarde de dia 25 de dezembro, ao ar livre, no jardim de casa de uma das irmãs do meu marido. Já não estavam juntos há tanto tempo e foi uma festa. 10 crianças a correr e a brincar ao ar livre, a jogar à bola e às escondidas. Acabou por ser bom. O resto do fim de semana foi passado em casa, entre filmes e jogos. A mini amou a trotinete que o Pai Natal lhe deu, mesmo como ela tinha pedido. 

Fomos os 5 ao teatro!

 No sábado de manhã fomos ao Teatro Armando Cortês ver a peça Heidi e gostámos imenso. O filhote grande, com os seus quase 11 anos, refilou um bocado, que não queria, que era infantil... ele queria mesmo era ficar tranquilo a jogar Fornite, mas há programas de família em que temos de estar todos. Refilou, mas foi e acabou por gostar, sem dar muito o braço a torcer, claro. Recomendo muito a peça. Está gira, os cenários estão fantásticos e a cultura e os artistas precisam da nossa presença e dos nossos aplausos. A sala até estava composta, mas com todas as regras e distanciamentos de segurança. Muitas vezes, em vez de oferecermos presentes materiais, oferecer experiências como uma ida ao teatro é ainda mais especial!