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Hoje também se fazem trabalhos de casa

E é giro como os filhos são todos diferentes. Este meu filho, acabado de entrar no 1º ano, é super trabalhador, é muito responsável e é ele que vai buscar os cadernos para fazer os trabalhos de casa. É muito cuidadoso, quer fazer tudo bem. Os seus cadernos estão sempre limpos e cuidados. Está a aprender as letras, os ditongos, as primeiras contas... E está muito empenhado. Leva a escola muito a sério.

E o desafio que é estudar e trabalhar com três filhos em casa?

 Já estou habituada a ter de trabalhar ou de estudar com os meus filhos em casa. Não é fácil, mas é possível, uns dias corre melhor, outros dias pior... e há outros em que se torna quase impossível. Hoje à tarde está a correr bem. O meu filho Afonso veio espreitar:  - Oh, mãe! E estás a ver vídeos no computador? Isso é o teu trabalho?! Grande sorte! Vocês também podem espreitar aqui o fantástico documentário que eu estava a ver. 

"Escola encerrada"

Tem sido uma constante neste ano letivo. Greves e mais greves, a escola fechada e os miúdos sem aulas. Quem nunca faz greve é a mãe! (Se bem que às vezes lhe apetecesse, nem que seja por breves segundos). Já tinha combinado ajudar uma querida amiga com o espaço onde ela vai montar uma exposição e lá fomos os quatro. Ajudaram com as medições, apontaram medidas... Portaram-se super bem e participaram no projeto. Em dia de loucura da Black Friday os meus filhos olharam para a realidade das crianças nos campos e refugiados de Moria, na Grécia. Enquanto por cá se batem para conseguirem comprar o último Iphone há muito mundo onde ainda se luta por um pedaço de pão ou um par de sapatos. 

Ontem levei um soco no estômago...

... quando o meu sobrinho conta, naturalmente, que uma menina da sua escola se tentou suicidar, cortando os pulsos, pela 4ª vez, na casa de banho da escola. Para eles, começa a ser normal. A menina tem 11 e quando desaparece as amigas já sabem onde têm de a procurar: na casa de banho. A menina sofre de bullying! Fiquei doente, com o estômago embrulhado a pensar na dor daqueles pais, no sofrimento daquela filha e na impotência de todos os que não conseguem impedir estas tentativas. 

A minha miúda!

Tive de ir buscar uma coisa ao Colombo e levei a minha filhota.  - Queres ir ver o Pai Natal? - Não! Quero ir ao escorrega grande. Eu tinha medo, mas agora já não tenho!  E lá fomos. Para os meus filhos é uma loucura ir ao Colombo ou a outro centro comercial porque nunca vamos, não é um programa de família. Tudo o que tenho a tratar faço-o sozinha, sem eles, enquanto eles estão na escola, de preferência logo à abertura, quando não há ninguém. Evito ao máxiiiiiiimo ir com eles para lojas, supermercados e centros comerciais. Eles precisam de ar puro, de parques e de campos para jogar à bola. E eu preciso de paz para fazer as compras. Não é benéfico para ninguém irmos todos. Mas, de vez em quando, lá levo um comigo... um sozinho é tão tranquilo e eles acham um programão com a mãe!

Mais uma greve nas escolas!

O meu filho mais velho já ficou sem aulas uns 4 ou 5 dias este ano... Amanhã há mais: " Funcionários das escolas marcam greve nacional para 29 de Novembro" ! E se é verdade que faltam auxiliares nas escolas, que é, também é verdade que isto, este ano, tem sido um caos... na escola do mais velho estão em pré-aviso há 3 semanas e todos os dias há uma turma sem aulas! Eu que sempre defendi a escola pública estou muito desanimada este ano. Parece que estão a tentar acabar com tudo de bom que se conseguiu para a escola pública nestes últimos anos. Anda tudo cansado, esgotado, mal disposto e os miúdos apanham por tabela! 

Na Islândia a tradição é trocar livros no Natal

Gosto da ideia de só se trocarem livros no Natal, como podem ler  aqui , para fugir um pouco desta loucura consumista, já não se pode ir a um centro comercial sem ouvir músicas de Natal... Este ano estou sem espírito natalício, ou melhor, tenho todo o espírito natalício do convívio, do estarmos juntos a partilhar tempo, à mesa, horas sem fim à conversa, os primos a brincarem... um bocadinho como foi ontem aqui em casa no aniversário do meu marido. A família reunida, comida feita com muito amor, gargalhadas e boa conversa. Mas a parte dos presentes, do consumismo, do dar porque sim... não me interessa. Ontem fizemos o habitual sorteio de irmãos e cunhados para darmos só um presente em vez de 11 - já fomos 14, mas temos vivido divórcios de ruptura na família. Quando falei ao meu marido da troca de livros ele respondeu: isso é porque gostas de ler! Sim, eu que sou uma leitora e escritora avida sou casada com um homem sem prazer pela leitura. Não lhe foi criado esse hábito na infância...

Fui uma entrevista e a possibilidade de voltar a trabalhar em full time ficou em cima da mesa...

... E senti-me engolida. Comecei a pensar na logística que ia ser necessária para entrar às 8h30, tinha de começar a deixar os meus filhos no ATL da escola às 7h30. Depois eram 45 minutos até ao trabalho. Uma avença mensal de parque de estacionamento. Um horário completo até às 17h30, sendo que o volume de trabalho, a responsabilidade do cargo e a relação/dependência com outros departamentos era tão grande que houve logo a questão sobre a possibilidade deste horário ser alargado. Logo, tinha de colocar os meus filhos no ATL da tarde até às 19h, sendo que tinha de sair no máximo até às 18h15 por causa do trânsito. Tinha de pagar a alguém para apanhar a minha pequenina no JI às 17h30 para a levar para casa porque ela sem sesta não aguenta nem mais um minuto. Ia deixar de os levar à natação e ao futebol. Íamos chegar a casa às 20h, esfrangalhados e eu teria tudo para fazer - jantar, roupas- até nos sentarmos à mesa quando o meu marido chegasse, pelas 20h15. Depois era comer rápido e cama...